Ministério da Saúde aprova protocolo para diagnóstico de TDAH

Ministério da Saúde aprova protocolo para diagnóstico de TDAH

04/08/2022 0 Por Duda

Ministério da Saúde aprova protocolo nacional para diagnóstico e tratamento do TDAH

O Ministério da Saúde oficializou, na última quarta-feira (4), a aprovação de um documento fundamental que estabelece critérios e diretrizes para o diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Conforme divulgado pela Agência Brasil, além de definir parâmetros para o diagnóstico, o protocolo também aborda aspectos relacionados ao tratamento, mecanismos de regulação e estratégias para o controle e avaliação da condição.

Essa medida representa um passo importante na organização do cuidado com pessoas que convivem com o transtorno, trazendo orientações claras tanto para profissionais de saúde quanto para famílias e pacientes. A publicação foi feita no Diário Oficial da União (DOU), oficializando o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de TDAH.

Uma condição que afeta milhões no mundo

De acordo com informações do Ministério da Saúde, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que aproximadamente 3% da população mundial seja afetada pelo TDAH. Esse transtorno é classificado como uma condição de neurodesenvolvimento e se caracteriza, principalmente, por três grupos de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Esses comportamentos, para configurarem o transtorno, precisam ocorrer em um grau que exceda o considerado normal para a faixa etária da pessoa, impactando negativamente seu desempenho social, acadêmico ou ocupacional. Embora os sinais de TDAH surjam tipicamente na infância, é bastante comum que eles persistam ao longo da vida, podendo acarretar dificuldades em diferentes fases da trajetória pessoal e profissional do indivíduo.

O Ministério destacou que, muitas vezes, os sintomas só se tornam realmente perceptíveis quando aumentam as exigências de responsabilidade e autonomia. “As dificuldades, muitas vezes, só se tornam evidentes a partir do momento em que as responsabilidades e a independência se tornam maiores, como quando a criança começa a ser avaliada no contexto escolar ou quando precisa se organizar para alguma atividade ou tarefa sem a supervisão dos pais”, explicou a pasta.

Diagnóstico exige atenção especializada

Apesar de frequentemente identificado na infância, o TDAH também pode ser diagnosticado na vida adulta. Muitos adultos chegam ao diagnóstico apenas depois de enfrentarem anos de dificuldades de concentração, impulsividade ou problemas para manter o foco em suas atividades diárias.

O novo protocolo reforça que o diagnóstico deve ser feito por profissionais devidamente capacitados, como médicos psiquiatras, pediatras, neurologistas ou neuropediatras. Estes especialistas precisam realizar uma avaliação minuciosa, considerando o histórico do paciente, a manifestação dos sintomas e seu impacto na vida diária, além de descartar outras condições que possam causar quadros semelhantes.

O objetivo é evitar diagnósticos equivocados e promover um tratamento mais adequado, personalizado às necessidades de cada paciente.

Importância do protocolo clínico

A criação de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas específico para o TDAH busca estabelecer uma padronização na forma como o transtorno é diagnosticado e tratado em todo o país. Isso significa que, a partir de agora, profissionais de diferentes regiões do Brasil terão acesso a um conjunto unificado de orientações técnicas, o que deve melhorar a qualidade e a equidade no atendimento a essas pessoas.

Além disso, o protocolo contempla orientações sobre as melhores práticas terapêuticas, incluindo o uso de medicamentos e intervenções psicossociais, como a terapia cognitivo-comportamental. Assim, a expectativa é de que os pacientes recebam um acompanhamento mais completo e eficaz.

A portaria também reforça a importância do acompanhamento contínuo e da revisão periódica do tratamento, considerando que o quadro clínico do TDAH pode variar com o tempo e exigir ajustes nas estratégias terapêuticas adotadas.

Um avanço para a saúde pública

O reconhecimento formal da necessidade de protocolos específicos para condições como o TDAH é um avanço importante para a saúde pública brasileira. Além de trazer mais segurança para os profissionais de saúde, a medida também contribui para diminuir o estigma em torno do transtorno, promovendo uma maior conscientização da sociedade.

Muitos pacientes, principalmente adultos, enfrentam barreiras para obter o diagnóstico correto e, consequentemente, o tratamento necessário. Com a nova diretriz, espera-se que esse cenário comece a mudar, proporcionando mais acesso à informação e ao suporte adequado.

O protocolo aprovado está disponível para consulta pública e pode ser acessado online. Ele se apresenta como um guia essencial para todos aqueles que lidam com o diagnóstico e tratamento do TDAH, sejam profissionais de saúde, pacientes ou familiares.

Conclusão

Com a aprovação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o TDAH, o Brasil dá um importante passo no reconhecimento e no tratamento adequado desse transtorno. A medida promete impactar positivamente a vida de milhares de brasileiros que enfrentam as dificuldades trazidas pela condição, garantindo acesso a diagnósticos mais precisos, tratamentos adequados e, sobretudo, uma melhor qualidade de vida.

O compromisso do Ministério da Saúde em padronizar e organizar a assistência reforça a importância de olhar para o TDAH com seriedade, respeito e sensibilidade, promovendo inclusão, autonomia e desenvolvimento para todos os afetados pela condição.